Construção de Capacidades e Autonomia Estratégica: O Caminho para a

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TL;DR
A construção de capacidades e autonomia estratégica é essencial para a resiliência digital do Brasil. Especialistas da ABES destacam a importância da articulação entre Estado, mercado e academia, além de políticas públicas focadas em infraestrutura e governança para fortalecer o setor tecnológico nacional e reduzir a dependência externa.
O que é Construção de Capacidades e Autonomia Estratégica?
Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES), a construção de capacidades e autonomia estratégica é fundamental para o desenvolvimento da resiliência digital no Brasil. Em um cenário global marcado por rápidas mudanças tecnológicas e instabilidades geopolíticas, essa abordagem torna-se um pilar essencial para garantir a soberania digital, a segurança de dados e o crescimento socioeconômico do país.
Qual o contexto atual da resiliência digital no Brasil?
No dia 28 de maio de 2026, a ABES promoveu uma live que reuniu especialistas da academia, do mercado e do seu Think Tank para discutir os caminhos estruturantes que o Brasil deve seguir. O objetivo central foi debater como a governança de dados, a infraestrutura crítica e o combate à dependência tecnológica são pontos-chave para o fortalecimento da resiliência digital nacional.
O papel da hélice tríplice na inovação
A professora Roseli de Deus Lopes, diretora do Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA/USP), destacou a importância da articulação entre Estado, mercado e academia — conceito conhecido como hélice tríplice — para acompanhar a velocidade da inovação contemporânea. Ela ressaltou que, apesar das leis brasileiras serem avançadas, a implementação eficaz ainda enfrenta desafios, especialmente no que diz respeito à regulamentação. Roseli defende o uso de mecanismos como sandboxes regulatórios para evitar que a rigidez regulatória limite o desenvolvimento de startups e pequenos negócios locais.
Infraestrutura nacional e o programa Redata
Darci de Borba Santos Jr., pesquisador do Think Tank da ABES, apontou que soberania digital não significa isolamento, mas sim o desenvolvimento de capacidades nacionais para regular, proteger e gerar valor. Ele destacou que o programa Redata, que incentiva a infraestrutura de data centers fora do eixo Sul-Sudeste, é uma política estratégica importante. O Brasil ocupa a 10ª posição mundial em capacidade de data centers, porém ainda possui um déficit comercial bilionário em eletroeletrônicos. Segundo Darci, vincular investimentos externos ao desenvolvimento científico local e à sustentabilidade é crucial para reverter esse cenário.
Globalização invisível e o poder das compras públicas
Victo José da Silva Neto, também pesquisador do Think Tank da ABES, chamou atenção para a globalização invisível, fenômeno impulsionado pela circulação transfronteiriça de dados. A capacidade do país de resistir a choques globais, como a crise de insumos na pandemia, depende da descentralização dos contratos públicos hoje concentrados em grandes empresas estrangeiras. Ele citou o Pix como um exemplo brasileiro bem-sucedido de Infraestrutura Pública Digital (DPI), resultado de governança compartilhada entre Banco Central e setor privado.
Quais os desafios e próximos passos para o Brasil?
Érico Aleixo, colíder do Comitê de Inteligência e Governança de Dados da ABES, ressaltou que o temor na adoção de inteligência artificial segura ainda trava seu uso nas empresas e no governo, gerando riscos significativos. Ele exemplificou que usuários finais adotam IA mais rapidamente que organizações, o que pode expor dados corporativos sigilosos sem controle adequado.
O consenso dos especialistas é que o futuro digital do Brasil não depende de alinhamentos geopolíticos automáticos com potências como EUA ou China, mas de uma postura pragmática que priorize missões públicas essenciais, como saúde, energia e defesa. Aproveitar as brechas de mercado e o capital intelectual nacional permitirá a construção de um ecossistema digital mais seguro, ético e menos desigual.
Como a construção de capacidades e autonomia estratégica impacta o setor tecnológico?
O fortalecimento dessas áreas contribui para o desenvolvimento de soluções locais, estimulando o mercado nacional de tecnologia e reduzindo a dependência de fornecedores estrangeiros. Isso também cria oportunidades para empresas brasileiras de software, como as que desenvolvem sistemas para a construção civil e gestão estratégica, setores que demandam inovação constante. Plataformas como Brassoft Sistema Next Construção Civil e Prodata Gestão Estratégica são exemplos de soluções que podem se beneficiar de um ambiente regulatório e tecnológico mais robusto.
Conclusão
A construção de capacidades e autonomia estratégica é, portanto, o caminho essencial para o Brasil consolidar sua resiliência digital diante dos desafios atuais. A articulação entre Estado, mercado e academia, aliada a políticas públicas focadas em infraestrutura e governança, cria bases sólidas para um futuro digital sustentável e soberano.
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Perguntas frequentes
O que significa construção de capacidades e autonomia estratégica?
Refere-se ao desenvolvimento de habilidades, infraestrutura e políticas que permitem a um país controlar e proteger seus recursos digitais, garantindo soberania e segurança tecnológica.
Por que a hélice tríplice é importante para a inovação digital?
Porque promove a colaboração ágil entre Estado, mercado e academia, acelerando o desenvolvimento tecnológico e a implementação de soluções eficazes.
Qual a função do programa Redata na infraestrutura digital do Brasil?
O Redata fomenta a construção de data centers fora do eixo Sul-Sudeste, ajudando a descentralizar a infraestrutura crítica e fortalecer a soberania digital.
Como o Pix exemplifica uma Infraestrutura Pública Digital bem-sucedida?
O Pix foi criado por meio de governança compartilhada entre o Banco Central e o setor privado, mostrando que colaboração e gestão coletiva são essenciais para o sucesso de sistemas digitais públicos.


